How i miss you
How i miss you
How i miss you
I should never call
How i hope that you still miss meDid I lose you?
Did I lose you?
Did I lose you?
Somewhere down the line
Hide & seek’s alright if i findDo you miss me
Like i miss you
If you miss me,
Never go away
Hopefully, you’ll come stay somedayIf you’re leaving,
come back soon
Thats not easy to sayI’ll wait here,
dream of you
all alone as i ache
diva britânica
I screwed up
=(
rainhas do mar
“Ela mora no mar
Ela brinca na areia
No balanço das ondas
A paz, ela semeia
Ela mora no mar
Ela brinca na areia
No balanço das ondas
A paz, ela semeia”
Dum! Dum! Dum!
“Se acabar não acostumando
Se acabar parado calado
Se acabar baixinho chorando
Se acabar meio abandonado
Pode ser lágrimas de São Pedro
Ou talvez um grande amor chorando
Pode ser o desabotado do céu
Pode ser coco derramado”
setembro – dezembro
Os Smurfs (The Smurfs / EUA – 2011)
O planeta dos macacos: A origem (Rise of the Planet of the Apes / EUA – 2011)
Closer – Perto demais (Closer / EUA – 2004)
Nosso lar (Nosso lar / Brasil – 2010)
Se enlouquecer não se apaixone (It’s Kind of a Funny Story / EUA – 2010)
Estão todos bem (Everybody’s Fine / EUA, Itália – 2009)
Rango (Rango / EUA – 2011)
Homem do futuro (O Homem do Futuro / Brasil – 2011)
Amizade colorida (Friends with Benefits / EUA – 2011)
Incertezas (Uncertainty / EUA – 2009)
Frida (Frida / EUA, Canadá, México – 2002)
O casamento do meu ex (The Romantics / EUA – 2010)
Amor a toda prova (Crazy, Stupid, Love. / EUA – 2011)
Um conto chinês (Un cuento chino / Argentina, Espanha – 2011)
Drive (Drive / EUA – 2011)
Um novo despertar (The Beaver / EUA – 2011)
Anti-heróis (The Son of No One / EUA – 2011)
O estudante (El estudiante / México – 2009)
Pronta para amar (A Little Bit of Heaven / EUA – 2011)
Viajo porque preciso, volto porque te amo (Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo / Brasil – 2009)
Invasão de domicílio (Breaking and Entering / EUA, Reino Unido – 2006)
Melancolia (Melancholia / Dinamarca, Suécia, França, Alemanha – 2011)
Sem limites (Limitless / EUA – 2011)
Toda forma de amor (Beginners / EUA – 2010)
Quando me apaixono (Then She Found Me / EUA – 2007)
Trabalho sujo (Sunshine Cleaning / EUA – 2008)
Foo Fighters: Back and Forth (Foo Fighters: Back and Forth / EUA – 2011)
Submarine (Submarine / EUA, Reino Unido – 2010)
Um dia (One Day / EUA, Reino Unido – 2011)
Like crazy (Like crazy / EUA – 2011)
Vamos nessa (GO / EUA – 1999)
Quanto dura o amor? (Quanto Dura o Amor? / Brasil – 2009)
Como se fosse a primeira vez (50 First Dates / EUA – 2004)
O segredo dos seus olhos (El secreto de sus ojos / Argentina, Espanha – 2009)
Desenrola (Desenrola / Brasil – 2011)
Idas e vindas do amor (Valentine’s Day / EUA – 2010)
A pele que habito (La piel que habito / Espanha – 2011)
O palhaço (O Palhaço / Brasil – 2011)
Ironias do amor (My Sassy Girl / EUA – 2008)
Closer – Perto demais (Closer / EUA – 2004)
Mary & Max (Mary and Max / Austrália – 2009)
Tomboy (Tomboy / França – 2011)
quero
Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte, como sabê-lo?Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes, apagas teu amor por mim.Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som, vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.



Who cares?
Além de ser meu crítico cinematográfico favorito há quase uma década, é uma pessoa que adoro ler/ver/ouvir discorrer sobre qualquer outro assunto. Um mineirinho que eu muito compartilho das opiniões, Pablo Villaça em:
“SOMOS HUMANOS, NÃO UM CANAL DE NOTÍCIAS
Há alguns dias, um blogueiro famoso morreu precocemente em função de problemas crônicos de saúde. Eu não o conhecia e tampouco o lia, mas a reação à sua partida me chamou a atenção. Em um primeiro momento, dezenas (talvez centenas) de tweets se espalharam com palavras do tipo:
“Morreu FulanodeTal. Muito triste. #FulanodeTal #RIP”
“Arrasado com a morte de FulanodeTal. Descanse em paz! #FulanodeTal #RIP”
E assim por diante. O que mais me intrigou, no entanto, foi perceber que, minutos depois, aquelas mesmas pessoas seguiam suas mensagens de “arrasado” e “muito triste” com outras que diziam algo como
“Vazou o novo episódio de Glee!!!!!!”
“Ai, bati o dedão no sofá. PQP essa merda! rsrssrsrs”
Confesso que senti dificuldades em conciliar imagens tão contrastantes: a de alguém chateado com a morte de um jovem e a de uma pessoa excitada pelo lançamento do episódio semanal de uma série. Especialmente considerando a justaposição imediata destes sentimentos.
Isto me remeteu ao que ocorreu há cerca de um mês e meio, quando o crítico mineiro Marcelo Castilho Avellar faleceu. Chateado e surpreso com sua morte súbita, postei vários tweets, publiquei um post e comentei o ocorrido no Facebook (além, claro, de conversar com diversos amigos em comum pelo telefone). Mesmo em meio à mostra de SP, decidi não publicar qualquer outro tweet sobre os filmes daquele dia, já que não me senti à vontade para tanto – e, para meu espanto, não tardou até que começasse a receber mensagens de leitores através das redes sociais dizendo que “ok-já-haviam-entendido-que-eu-estava-chateado-com-a-morte-do-”sujeito”-e-será-que-por-favor-eu-poderia-mudar-de-assunto-antes-que-me-dessem-unfollow?”. Talvez eu não devesse me surpreender com este tipo de reação, mas a verdade é que não só me surpreendi como fiquei chocado. Quem eram aquelas pessoas? Que caráter monstruoso era esse?
A resposta, claro, é que eram pessoas comuns que provavelmente nada tinham de monstruosas. Eram apenas pessoas agindo com a frieza habitual da Internet.
Em um mundo no qual a comunicação se dá primordialmente através de toques num teclado dirigidos a nicks numa tela de computador, muitos acabam se esquecendo de que por trás daqueles apelidos há pessoas e que as palavras digitadas provocam efeitos reais sobre elas. De “sociais”, redes como Facebook e Twitter trazem apenas a característica de associação entre pessoas, mas é um erro crasso acreditar que esta ligação se dá em qualquer nível além do mais superficial. Há algum tempo, por exemplo, profundamente chateado com a informação que havia recebido de que Leon Cakoff estava à beira da morte, cometi o erro de ventilar o lamento no Facebook – mas como não seria certo divulgar o estado de saúde do criador da Mostra sem autorização de sua família, escrevi algo como “Muito chateado por saber que logo receberemos uma notícia trágica”. Em questão de segundos, uma leitora respondeu: “E aí? Vai fazer cu doce e não vai contar pra gente o que é?”.
Meu equívoco, claro, foi confundir contatos do Facebook com “amigos”; achar que se importariam com meu estado de espírito e não com o valor de fofoca da informação que eu tão “egoisticamente” negara a eles. Sim, há contatos que ainda se comportam como seres humanos, manifestam empatia, sensibilidade e calor humano, mas não são a regra. Além disso, há a impessoalidade implícita na própria natureza da comunicação virtual – algo que vem se disseminando, infelizmente, para o mundo real.
Lembro-me, por exemplo, de quando a mãe de um amigo que reside em outro estado faleceu, há alguns meses, e liguei para manifestar meu pesar por sua perda. Depois de me ouvir, meu amigo disse:
- Como é bom ouvir a voz de alguém dizendo isso.
Espantado, já que sabia como ele é uma figura querida e cheia de amigos, perguntei o que queria dizer:
- Recebi mensagens de texto pelo telefone a manhã inteira, mas só duas ou três pessoas me ligaram de verdade.
“De verdade” sendo a expressão-chave. Como alguém pode acreditar que enviar um SMS é o mesmo que buscar fazer uma conexão real com alguém? Sim, é mais cômodo – especialmente em situações potencialmente desconfortáveis como conversar com alguém que acabou de perder a mãe, mas gaguejar de forma desajeitada pelo telefone enquanto buscamos o que dizer é certamente melhor do que enviar uma mensagem eloquente sobre luto e perseverança frente à morte; um simples gaguejar diz mais sobre seu lamento diante do sofrimento do próximo do que a melhor das frases de efeito.
Às vezes, penso que estamos nos esquecendo de que somos humanos, não avatares. E certamente este “esquecimento” já se aplica à maneira com que enxergamos muitos dos que nos cercam. Somos invulneráveis no mundo virtual – e também frequentemente frios. Insultamos alguém e ameaçamos “cuspir em sua cara” se o “encontrarmos”, mas basta que a pessoa do outro lado se ofereça para um encontro real que o valente virtual alega não querer “perder tempo” – dedicando-se, em vez disso, a vandalizar a página do “inimigo” na wikipedia. (Sim, história verídica.)
É fácil ser cruel, altruísta, apaixonado, generoso ou ativista na Internet. Mas não vivemos na Internet, vivemos?
Antes nos permitíamos tempo para sentir. A morte de alguém querido ou admirado era abraçada como um sentimento digno de ser experimentado, processado, sentido. Hoje recebemos a notícia, a expurgamos num tweet e imediatamente nos entregamos a outro assunto. Se antes apenas o jornalismo vivia num ciclo contínuo de 24 horas, cuspindo trivialidades para preencher todos os espaços de sua programação, agora estamos nos transformando em indivíduos que seguem este mesmo ciclo, como se precisássemos de estímulos contínuos para nos sentirmos vivos e relevantes – e nem mesmo a morte, a mais definitiva das notícias, pode interromper este fluxo. Nossos corações podem estar partidos, mas nossas mentes parecem exibir aquelas legendas que percorrem a base das telas dos canais jornalísticos: “Morreu FulanoDeTal **** Nova foto de Anne Hathaway como Mulher-Gato sai na Internet **** Luana Piovani alfineta atriz global **** Mulher maltrata cachorro em vídeo no YouTube **** Ouça o novo hit de…”.
Uma hashtag não substitui uma pessoa. Somos mais que nossos nicks.”
By Pablo Villaça
17. dezembro 2011 10:57
Poema em linha reta
“Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possibilidade do soco;
Eu que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu que verifico que não tenho par nisto neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo,
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu um enxovalho,
Nunca foi senão – príncipe – todos eles príncipes – na vida…
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana,
Quem confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde há gente no mundo?
Então só eu que é vil e errôneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos – mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.”
Álvaro de Campos
linha tênue
Todo o lugar que chego você não fica
Tudo o que eu te peço você não dá
Se dou opinião você implica
Toda vez que ligo você não estáPor que fazer questão deste jogo duro?
De me mostrar o muro a nos dividir?
Seu coração de fato está escuro
Ou por de trás do muro
Tem mais coisa aí.Toda vez que passo você não nota
Eu conto uma lorota você nem ri
Me faço fina flor vem e desbota
Me boto numa fria não socorreEu cavo um elogio isso nem te ocorre
A indiferença escorre fria a me ferir
Será porque você não me suporta?
Ou dentro desta porta
Tem mais coisa aí.Entre o bem e o mal a linha é tênue meu bem
Entre o amor e o ódio a linha é tênue também
Quando o desprezo a gente muito preza
Na vera o que despreza é o que se dá valorFalta descobrir a qual desses dois lados convém
Sua tremenda energia para tanto desdém
Ou me odeia descaradamente
Ou disfarçadamente me tem amor
out of the blue

uow
bate-papo: PITTY e FERNANDA YOUNG

Fernanda Young – Eu ando pensando que na minha próxima temporada do programa (Irritando Fernanda Young) eu só farei perguntas malucas do tipo: Você mente? Você já pensou, Pitty, quanta bobagem se fala sobre a mentira?
Pitty - Sim, principalmente que a mentira é ruim e que ela não existe.
FY – Os entrevistados falam: Eu não minto! Gente, que papo ridículo, me dá vontade de desmaiar.
P – É, tem gente que usa a mentira para fazer o bem, porque a verdade, em alguns casos, não ajuda. Quando eu penso nisso eu me lembro do filme Adeus Lênin, saca? O médico fala que a mãe doente não pode levar um susto, então a família esconde dela que houve a queda do muro de Berlim, na Alemanha. É uma grande mentira, mas e daí? Este é um limite muito maluco…
FY – Ah eu não sei… por exemplo, recentemente um amigo meu perdeu o pai. E a mãe estava mal, fora de si, então resolveram contar que ele não tinha morrido, que estava em algum lugar… Não pode! Seguinte: não mintam para mim caso eu precise saber de algo grave. Mas se for uma besteira, uma mentira que pode me trazer problemas rasteiros, tudo bem. Tipo… não me contem que eu fui traída, não…
P - Ai, que engraçado isso!
FY - Porque, você gostaria que te contassem que foi traída?
P – Eu já fui muito enganada na vida… por namorados, amigos… Criei uma aversão a ser enganada, tenho pânico! Eu acho que todo mundo está me enganando. Entrei nessa: Eu quero saber, mesmo que doa, mas eu sei! Como se isso fosse me dar algum alívio, mas não dá. Mas eu tenho essa sensação, sou obsessiva.
FY - Não dá alívio!! Eu fui traída por todos os meus namorados e por alguns amigos e amigas. Só digo uma coisa: não me faça desconfiar! Porque daí eu me torno um bicho. Sou a rainha do flagra. Eu descubro, vou direto! Mas tenho para mim que, no campo amoroso, todo mundo trai. Os amigos é que não podem trair. Mas, no amor, depois de um certo tempo, todo mundo trai.
P - O grilo, para mim, não é o fato do meu parceiro sentir desejo por outra pessoa. É o fato de eu não saber. Eu quero me sentir incluída, estar ali, junto, saber que faço parte. Aquela mina é massa, é gostosa? Me leva junto! Me leva pra qualquer lugar (muitos risos)
FY – Se eu fico sabendo, penso o seguinte: Ah, é? Eu vou roubar dele. Eu ainda aviso: ‘Tenha a mulher que você quiser, mas pode ter certeza que ela irá me querer antes de te querer. Mesmo que ela não goste de mulher, a mim irá querer, porque eu movimento montanhas para me fazer sedutora caso precise competir. Isso tudo simbolicamente falando, porque a ameaça que eu faço é bem maior que a realidade (risos)
P – É interessante, em vez de ficar naquela posição de coitadinha, você vai e destrói o cara…
FY - Eu não acredito em pessoas que não se descompensam por amor, que não sentem raiva, ciúmes, ódio, vontade de quebrar tudo, cortar o cabelo da mulher. Eu tenho vontade de pegar a mulher, a cretina, que simbolicamente é a inimiga, e acabar com o cabelo dela! Porque, você já percebeu, todas tem cabelo comprido!! (risos). E a minha vontade é: eu vou pegar, flagrar e vou destruir o cabelo!! Mas eu não fiz isso, ainda…
FY - Você faria o que, Pitty, num flagra real?
P – Já aconteceu uma vez de eu jogar uma taça de vinho na cara dos dois. Porque eu sou bem dramática também. Às vezes meu namorado fala pra mim: ‘menos gata, espera aí, você não está num filme’
FY – Eu já quebrei uma casa inteira!
P – Eu também, é uma delícia!
FY – Ah, é tão gostoso… Mas deixa eu explicar: eu era muito nova, fui exposta à uma brutalidade muito grande, era o único namorado que eu tinha tido até então. E foi necessário (quebrar a casa), para me proteger.
P – Eu acho que, às vezes, extravasar a raiva é saudável. O que é o real, o que você sente na hora, põe pra fora, é saudável. Se você pensa: Vou me comportar bem, mas aquilo não é real, você está se prejudicando muito, vai ter um câncer se não botar aquilo pra fora. Mas eu acho que, ao mesmo tempo, a gente tem de aprender a controlar certas coisas ao longo da vida.
FY - Pancadaria, por exemplo, não é legal. Não vem querer encostar em mim, não… O último cara que tocou em mim apanhou de uma tal forma que foi inacreditável. Quando você é bem jovem pode até se permitir algumas coisas. Permitir não, você inevitavelmente passa por algumas situações porque não tem experiência amorosa. Por exemplo, a primeira vez que você sofre por amor acha que vai morrer!
P – É verdade!
FY – Eu me lembro que eu dizia: ‘Eu vou morrer, eu estou morrendo!’
P – Morri, totalmente! (risos). O primeiro sofrimento é algo muito maior, porque você não tem a dimensão daquilo tudo, valoriza muito.
FY – Eu agora fico bem mal, mas sei que não vou morrer, não. Com o tempo você descobre qual o seu padrão de sobrevivência à decepção amorosa. Eu sofro um mês, choro uma semana, escrevo poemas, dependendo da coisa posso até escrever um livro…

FY- Mudando de assunto, você já pensou ou pensa em fazer plástica, Pitty? Eu fiz peito. No rosto eu não vou fazer porque acho que o meu é muito bom, mas se lá pelas tantas eu tiver de fazer um lifting eu faço, com uns 55 anos, imagino. Mas meu sonho, é fazer uma barriga de puta. Com tanquinho.
P – E existe isso? (risos)
FY – Existe, boba! É que eu sou mãe de gêmeas, né? Nunca tinha pensado nisso, mas agora eu preciso.
P – E como faz isso?
FY – Você seca a barriga. Muda o umbigo de lugar, costura por dentro e faz uns tanquinhos! Quando eu souber que não vou engravidar mais, vou fazer. Não para ficar por aí de bíquini, porque nem a praia eu vou, mas para mim. Eu tenho um corpo bom, malho muito, adoro fazer ginástica, é meu antidepressivo há muitos anos. Mas a porcaria da barriga não gruda!! E quando gruda, passo dois dias sem fazer ginástica e ela faz puf, e volta… (risos)
P – Nossa, acho isso estranhíssimo. Acho inclusive feio. Você conhece alguém que fez?
FY – É para dar exemplos? A Vera Fisher…
P- Nunca reparei na barriga da Vera Fisher (risos). Eu nunca tive vontade de fazer plástica. Criei uma certa aversão a isso pelos exemplos que eu vejo por aí. Acho que as pessoas ficaram paranoiacs com isso e perderam a mão… Os maus exemplos, como são muito perceptíveis, me deixaram com esta reação, tipo: ‘Não quero, nunca vou fazer’. Mas eu acho que este negócio de dizer ‘nunca vou’ é muito perigoso, até porque eu tenho 30 anos… Eu não quero pagar a minha lingua quando eu tiver 50.
FY – Mas com menos de 50 você vai pagar!
P – Então, mas mesmo que eu pague, nunca quero perder a medida. Porque acho que as marcas são importantes. Eu olho a Fernanda Montenegro e eu acho ela linda! E eu não quero entrar nesta paranoia, cara! Porque isso é uma coisa que vem de fora, uma coisa que nego tenta botar na nossa cabeça, de que se você não é jovem não é legal,não é bonita. Principalmente para as mulheres, a cobrança é muito dura.
FY - Eu estou achando que as pessoas estão estranhíssimas com as drogas hoje em dia… e não é caretice não, mas eu acho que houve um advento com as drogas muito estranho, sabia?
P – Tipo o que?
FY – Acho que é minha idade que está percebendo isso (risos). Antigamente, pelo menos nas pessoas do meu grupo – e meu grupo era grande – elas se drogavam de uma forma cultural, política: alguns se ferraram, outros não, alguns eram mais idiotas, outros não, alguns ficaram mais mau caráter, outros não… normal, variante. Mas tinha um sentido qualquer estético, cultural, ideológico.
P – Hoje em dia você acha que é um hedonismo pop, só isso?
FY – Acho que as pessoas estão derretendo à toa nos lugares e ficando esquisitas e burras e ninguém sabe de nada, você vai conversar com a pessoa e ela não fala nada com nada. As pessoas continuam querendo manipular a realidade e vão querer sempre, mas acho que essa geração não tá a fim de usar esses recursos de forma edificante. Eu vejo as pessoas só derretendo. E aí vão para as boates ouvir músicas que não tem refrão! Eu não aguento música sem refrão, a gente não consegue cantar! Você fica esperando o refrão e iaaaá… não tem refrão?
P - É um coito interrompido, né? Na hora que você vai gozar, você não goza (risos).
FY - Não é? Você quer repetir, quer se identificar, quer ‘freedom’ (e joga os braços pra cima) e nada? Você tem isso nas suas músicas, não é Pitty?
P – Eu adoro refrão, sou totalmente a favor do refrão!
FY - Não é a música eletrônica que me incomoda. É a burrice musical, você fica: tóin, tóin, tóin… derretendo, derretendo, você não pode nem beber, fica bebendo água, água, água, ai, que horror! Cadê a cerveja? (risos)